Mais uma parceria de pagamentos em seguros caiu esta semana.
One Inc e ManageMy anunciaram que tão unindo forças pra tocar pagamentos digitais de operadoras de seguro — prêmios entrando, sinistros saindo, tudo por canais novos e sofisticados como carteiras digitais e transferências instantâneas. Fica bonito em um comunicado à imprensa. Mas vou ser honesto: cobri fintech suficiente pra saber qual é a pergunta real que ninguém tá fazendo.
Quem é que tá ganhando dinheiro com isso?
Olha, o pitch é sólido na superfície. One Inc traz ClaimsPay e PremiumPay, suas redes de pagamento focadas em seguros. ManageMy traz software que roda a experiência de sinistros e vendas das operadoras. Junta os dois, e em teoria, seguradoras ganham uma experiência de pagamento digital suave sem ter que costurar cinco vendors diferentes. Faz sentido.
Mas é aí que meu lado cínico aparece — e eu costumo acertar nessas coisas.
O Problema Real Que Ninguém Tá Resolvendo
Operadoras de seguro têm capacidade de processar pagamentos digitais há anos. Isso não é novidade. O que falta mesmo é incentivo. E uma parceria não cria incentivo.
A indústria de seguros se mexe mais lento que continente deslizando, e não porque a tecnologia não existe. É porque os incumbentes tão acomodados no float — os juros que ganham enquanto seguram o dinheiro do cliente antes de pagar o sinistro. Pagamentos digitais e instantâneos? Isso é feature pra clientes, não pra CFO de seguradora. Cada dia que um sinistro fica em espera é um dia que o dinheiro da seguradora tá rendendo.
“Pagamentos mais rápidos impulsionam satisfação do cliente mais que qualquer outro fator, enquanto pagamentos lentos custam bom relacionamento, renovações e retenção”, alegou One Inc em sua própria pesquisa.
É verdade. Mas também não é novidade. E assume que operadoras realmente priorizam retenção sobre otimização de float. Não fazem — nem todas.
O Chief Revenue Officer da ManageMy, Stuart Johnston, soltou uma frase no comunicado que me fez sorrir: “Como pagamentos são o touchpoint mais frequente com segurados, a experiência de pagamento pode fazer a diferença entre reter ou perder um cliente.” Claro. Mas só se o cliente tiver opções. Na maioria dos mercados de seguros, não tem.
Por Que Esse Timing Parece Conveniente
O CEO da One Inc, Ian Drysdale, jogou uma observação interessante num relatório da PYMNTS: seguro saiu de impressoras de cheque pra “digitalmente driven” a partir de 2020 quando os escritórios fecharam. Justo. Pós-pandemia, trabalho remoto significava que impressoras de cheque não tavam disponíveis. Então operadoras migraram pra digital por necessidade, não por inovação.
Mas — e isso importa — migraram devagar. A maioria das seguradoras ainda tem sistemas de pagamento desajeitados e fragmentados. Colaram canais digitais sem repensar a arquitetura subjacente. É aí que One Inc enxerga uma brecha: operadoras querem parecer modernas sem realmente se modernizarem.
É o seguinte: um comunicado de parceria não muda a física da economia de seguros. Só reempacota capacidades já existentes com relações públicas melhores.
O Verdadeiro Vencedor: A Máquina Narrativa do Fintech
Não me entendam mal. One Inc e ManageMy são empresas legítimas fazendo trabalho sólido. One Inc tem expertise real em seguros — tocar transações multi-party (pagamentos a lienholders, pagamentos a mortgagees) é genuinamente complexo, e isso é mais difícil de fingir.
Mas essa parceria parece mais construção de credibilidade mútua que integração revolucionária. ManageMy consegue contar pros clientes, “Agora temos pagamentos best-in-class integrados.” One Inc ganha distribuição de carriers através da base instalada da ManageMy sem ter que construir uma máquina de aquisição de clientes inteira.
É negócio inteligente. Só não é novo.
A pergunta real — a que teria resposta e te diria se isso importa — é taxa de adoção. Quantos clientes da ManageMy vão ligar o switch e usar a rede de