Turnê do livro Privacy Defender de Cindy Cohn em NYC | EFF

Cindy Cohn, que passou três décadas enfrentando abuso estatal e coleta corporativa de dados, está trazendo sua história para Nova York — e sua mensagem é muito mais sombria do que você esperaria de alguém com tanto a celebrar.

Cindy Cohn, Diretora Executiva da EFF, falando em um evento de direitos de privacidade em Nova York

Key Takeaways

  • A turnê de livro de Cohn aponta para três públicos distintos de Nova York — mulheres em segurança, líderes da indústria tech e comunidades ativistas — sinalizando de onde tem que vir a próxima defesa de privacidade
  • O timing revela uma verdade desconfortável: depois de 30 anos lutando, a infraestrutura de vigilância só se aprofundou, e a batalha está entrando em uma nova fase, mais complexa, com IA
  • Isso não é uma celebração de vitórias da EFF; é um apelo prescritivo à ação para a próxima geração, disfarçado de memória

Afinal, o que significa uma das defensoras de privacidade mais tenaz da América sentir-se compelida a publicar uma memória agora?

Essa é a pergunta que paira sobre o roteiro de três eventos de Cindy Cohn por Nova York este abril. Na superfície, é um lançamento de livro. Mas olhe mais atentamente e você está observando algo bem mais revelador: um sinal de alerta de quem esteve na trincheira dos direitos digitais por trinta anos, avisando que a luta não é só contínua — está acelerando em direções que não estamos prontos para enfrentar.

Por Que Agora? O Timing É Tudo

O novo livro de Cohn, Privacy’s Defender: My Thirty-Year Fight Against Digital Surveillance, chega num momento em que vigilância parou de ser uma preocupação de nicho nas liberdades civis e virou um fato básico da existência. Seu celular rastreia você. Seu carro reporta aos fabricantes. Seu histórico de buscas vive em servidores corporativos. E o governo federal — apesar de décadas de derrotas legais, em boa parte graças ao trabalho de Cohn — segue encontrando novos ângulos técnicos para acessar seus dados mesmo assim.

Mas aqui está o ponto: ela não está em turnê para celebrar vitórias. Ela está aqui porque a arquitetura de como defendemos privacidade está fundamentalmente quebrada.

Uma Batalha em Três Frentes na Cidade Que Importa

Os três eventos não são aleatórios. Cada um aponta para um público diferente, o que diz muito sobre onde Cohn acredita que a próxima geração de defesa de privacidade precisa vir.

Primeiro, o evento Women in Security and Privacy no Kennedys em 20 de abril. Coloque Cohn ao lado de Chelsea Horne, professora da American University, e você está explicitamente alcançando as mulheres ainda sub-representadas em papéis de cibersegurança e política. Isso não é tokenismo — é uma escolha arquitetônica deliberada. Advocacia de privacidade historicamente foi um espaço dominado por homens. Cohn está sinalizando que se os próximos trinta anos forem iguais aos últimos três décadas, a gente perde.

Depois vem o evento Tech:NYC no Civic Hall em 21 de abril. Aqui, Cohn senta com Julie Samuels, presidente da Tech:NYC — o grupo comercial da indústria. O enquadramento é afiado:

“Podemos ter conversas privadas se vivemos nossas vidas online?”

Isso não é uma pergunta tipo pegadinha. É o problema arquitetônico central. A internet não foi construída com privacidade como uma camada fundamental. Foi colada depois, disputada em cortes, negociada em reuniões de política nos bastidores. E agora, trinta anos depois, ainda estamos nos perguntando se privacidade e vida digital são sequer compatíveis. Líderes da indústria tech precisam ouvir essa pergunta de alguém que respeitam. Samuels hospedando essa conversa significa que a indústria — pelo menos partes dela — está começando a reconhecer que o problema não é só regulatório. É existencial.

Finalmente, o evento da Brooklyn Public Library em 23 de abril com Anil Dash, o fundador antitech. E sim, antitech — uma empresa de capital de risco literalmente apostando contra certos tipos de tecnologia. Ter Dash lá sinaliza que a luta por privacidade não é mais sobre regulação versus inovação. É sobre escolher quais futuros construímos.

O Livro Como um Documento Legal Disfarçado de Memória

O que Privacy’s Defender realmente é importa mais do que como é divulgado. Cohn o enquadrou como “parte memória, parte história legal para o leitor geral.” Tradução: isso não é um livro de autoajuda sobre como gerenciar suas configurações de privacidade. É um relato documentado de como o governo tentou repetidamente quebrar criptografia, como corporações construíram modelos de negócio de vigilância, e como o sistema legal — por pouco — conseguiu acompanhar.

O apoio de Edward Snowden sela isso. Ele chamou de “um apelo convincente à ação para a próxima geração de campeões das liberdades civis.” Não um acerto histórico. Um apelo à ação. Essa escolha de linguagem sugere que o livro não é retrospectivo. É prescritivo.

Sarah Chen
Written by

AI research editor covering LLMs, benchmarks, and the race between frontier labs. Previously at MIT CSAIL.

Worth sharing?

Get the best AI stories of the week in your inbox — no noise, no spam.

Originally reported by EFF Updates