Charter de Trust da Coinbase Enfrenta Críticas dos Bancos

OCC libera charter de trust da Coinbase, e os bancos piram. ICBA chama de 'erro grave' que põe consumidores americanos em risco, expondo as rachaduras nas ambições bancárias das fintechs.

Logo da Coinbase sobreposto ao selo do OCC com gráficos de protesto bancário

Key Takeaways

  • OCC aprova charter de trust da Coinbase para custódia crypto, atraindo críticas afiadas da ICBA por riscos aos consumidores e atalhos regulatórios.
  • Pedidos de charters por fintechs explodiram em 2025, sinalizando corrida por acesso federal e fim das licenças estaduais.
  • Bancos temem perda de território; Coinbase jura sem depósitos, mas tensão prenuncia choques maiores entre fintechs e bancos.

Rebeca Romero Rainey não foi de rodeios. O brilho do novo charter de trust nacional da Coinbase, aprovado pelo OCC? Um ‘erro grave’ que coloca americanos comuns em perigo.

Esse é o tiro de largada da presidente e CEO da Independent Community Bankers of America (ICBA), disparado logo após a aprovação do regulador na semana passada. A Coinbase National Trust Company agora é oficial — mas com muita treta. A jogada da gigante das criptos a enfia ainda mais no quintal da finança tradicional, com serviços de custódia sob supervisão federal, e deixou o setor bancário com o sangue nos olhos.

Dando um zoom out: isso não é briga isolada. Fintechs como a Coinbase estão invadindo os national trust charters para driblar a burocracia estadual, plugar direto nos trilhos do Fed e escalar as operações de custódia de ativos digitais. O co-CEO internacional da Coinbase, Greg Tusar, foi claro: sem depósitos de varejo, sem joguinhos de reserva fracionária. Só uniformidade para o trampo da infraestrutura crypto.

“A aprovação condicional hoje do pedido de charter de trust da Coinbase é um erro grave que só vai colocar consumidores americanos em risco”, disse Rebeca Romero Rainey, presidente e CEO da ICBA. “Como a ICBA detalhou em nossa carta ao OCC opondo-se ao esforço da Coinbase para obter um national trust charter, seu pedido não atende aos requisitos da National Bank Act e das próprias regulamentações e padrões do OCC.”

Rainey emendou, detonando a própria regra de chartering do OCC — fora de sintonia com a história legislativa, decisões judiciais, até precedentes da agência. Ai. E a ICBA não tá sozinha; já se uniu antes ao Bank Policy Institute, National Community Reinvestment Coalition e outros para afundar o pedido parecido da Bridge.

Aqui vai o pico de dados que tá alimentando a loucura. OCC pegou 14 pedidos de de novo charters só em 2025 — quase o total dos quatro anos anteriores juntos. Até meados de março: quatro aprovações, sete na fila. Fintechs farejam sangue.

Sem charters, elas malabaram licenças de money transmitter em 50 estados, dependendo de bancos patrocinadores para acessar o Fed. Com charter na mão? Operações nacionais, trilhos de pagamentos liberados. PYMNTS cravou no outono passado: é a chave mestra da plomaria financeira dos EUA.

Por Que os Bancos Estão Pirando com o Charter de Trust da Coinbase?

Simples: guerra de território. Bancos comunitários veem a Coinbase — com sua bagagem crypto — invadindo a custódia, podendo roubar suas fontes de receita. Trusts lidam com ativos sem depósitos, claro, mas escala é tudo. O braço de custódia da Coinbase já guarda bilhões em crypto; o selo federal turboalimenta isso.

Mas vai mais fundo. Bancos temem arbitragem regulatória. Firmas crypto operam num subconjunto Velho Oeste da finança, cheias de hacks, explosões (lembra FTX?). Dar status de trust pra elas? Borra as linhas, arrisca espalhar volatilidade pra Main Street se a supervisão falhar.

Tusar jura que não vai em depósitos — esperta esquiva, já que charters de trust driblam regras bancárias completas. Ainda assim, ICBA grita roubo: o app da Coinbase falha nos básicos da National Bank Act. Eles apostam em porradas judiciais ou correções do Congresso pra recuperar terreno.

Minha visão? Bancos não estão errados em chiar, mas chegaram atrasados. Fintechs vêm roendo as bordas há anos — pensa no charter bancário completo da SoFi em 2022, ou nas manobras da Chime. A jogada de trust da Coinbase segue o mesmo script: custódia primeiro, expansão depois.

E aqui vai meu ângulo único — um paralelo que a maioria perde. Volta pra crise de 2008: bancos de investimento imploraram por charters comerciais pra acessar liquidez do Fed. OCC topou; estabilizou mercados no curto prazo, mas plantou risco moral no longo prazo. Charter da Coinbase? Mesmo playbook, só que ao contrário. Nativos crypto pegando poderes bancários no meio de bull runs. E no próximo inverno crypto? Contribuinte pagando a conta indireta via supervisão federal frouxa?

Marcus Rivera
Written by

Tech journalist covering AI business and enterprise adoption. 10 years in B2B media.

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Originally reported by PYMNTS