US$ 1,4 trilhão. É a capitalização de mercado do Bitcoin hoje de manhã, segunda-feira, com o BTC negociado a US$ 70 mil. Cai pra US$ 10 mil, e puf — despenca pra US$ 200 bilhões, níveis que não víamos desde os dias negros de julho de 2020.
Mike McGlone, da Bloomberg Intelligence, acabou de repetir o cenário de pesadelo. Num post no LinkedIn e num podcast, ele aposta num desmonte gigante — o maior influxo de grana da história dando meia-volta.
“Vejo um furacão vindo aí, e é meu dever avisar vocês”, disse McGlone no podcast The Wolf Of All Streets com Scott Melker, nesta segunda. “Não rejeitem o urso, só aceitem ele.”
Ele não tá sozinho pra notar as nuvens carregadas, mas o alerta do McGlone se destaca pela precisão. O preço mais negociado do Bitcoin desde 2017? Acertou se você pensou em US$ 10 mil. Foi no ano em que os futuros estrearam na Cboe e na CME, atraindo especuladores como marimbondo em melado. Avance no tempo, e agora temos milhões de altcoins diluindo o caldeirão — tranqueiras de meme como Dogecoin e Shiba Inu que, pro McGlone, merecem ir pro zero.
Mas olha os dados que gelam: desde o pico acima de US$ 126 mil em outubro, o Bitcoin já perdeu 45%. Os ETFs trouxeram as instituições, claro, mas McGlone diz que eles esterilizaram a emoção. “O Bitcoin não empolga mais”, ele solta. Ativos de risco grudando mais nas ações? Transbordamento de volatilidade na certa.
Por que as stablecoins podem passar o Bitcoin na frente
O USDT da Tether tá com US$ 184 bilhões de market cap — terceiro lugar, atrás só do Bitcoin e Ethereum. A aposta maluca do McGlone: ele vai passar os dois. Criptos atreladas ao dólar como a tendência que fica? Faz sentido olhando os números. A dominância do Bitcoin caiu de 70% em 2017 pra menos de 50% agora, fragmentada por mais de 20 mil tokens (a maioria sem valor).
Dá uma olhada nos volumes de negociação. O USDT manda nos fluxos on-chain, o sangue das trades de cripto. É a rampa de entrada, saída, tudo-rampa. Se o Bitcoin afundar, a liquidez foge pras stables — a história rima com o ouro sendo destronado pelo fiat pós-Bretton Woods. Minha visão exclusiva? Não é só diluição; é mudança de paradigma. USDT passando o BTC marcaria a maturação das criptos como trilho de pagamentos, não cassino especulativo. Pode chamar de dinheiro da liberdade o quanto quiser — os dados dizem que utilidade vence.
Parágrafos curtos batem forte.
McGlone admite que US$ 75 mil é a linha na areia. Romper acima com convicção? A tese bear dele morre. No mês passado, tensões geopolíticas levaram pra US$ 75.600 antes de recuar. Mas com a liquidez do Fed secando — o pump pós-pandemia murchando —, o gás tá acabando.
O Bitcoin vai mesmo bater US$ 10 mil este ano?
Queda de 85%. Loucura, né? Mas tem precedentes pra caramba. 2018: 84% de tombo de US$ 19 mil pra US$ 3,2 mil. 2022: 77% de US$ 69 mil pra US$ 15 mil. O boom da pandemia deu ganhos de 20x; agora é a purga. McGlone chama de excesso de mercado saindo — meme coins primeiro, as grandes depois.
Os ETFs mudaram o jogo, trazendo ternos que odeiam quedas de 80%. Só o IBIT da BlackRock tem mais de 300 mil BTC. Base de investidores mais ampla devia amortecer as oscilações, dizem os analistas. Mas a correlação é o assassino. Nasdaq cai 10%? Bitcoin vai atrás, sem discussão.
E a Tether? Reguladores em cima — acordo com NYAG em 2021, investigações rolando. Se o USDT balançar, risco em cascata explode. O furacão do McGlone pode pegar todo mundo.
Os dados não mentem, no entanto. Interesse aberto em futuros de BTC? No pico, igual 2021 pré-queda. Taxas de funding negativas nos perps — shorts empilhando. RSI de sobrevenda? Que nada, ainda tem espaço pra sangrar.
O boom das criptos acabou de vez?
McGlone não é bear eterno; ele foca em commodities, de olho nas marés macro. O desmonte risk-on lembra 2008, ecos do dot-com. Bitcoin como ouro digital? Mancha quando as yields sobem — Treasuries de 10 anos a 4,2%, sugando capital.
Contra-argumento